Conteúdo da página da web
A rinite é uma patologia muito comum nos suínos provocada por diversas bactérias e substàncias nocivas. A rinite pode originar lesões nos ossos turbinados do nariz.
A rinite atrófica progressiva (PAR) caracteriza-se por atrofia permanente dos tecidos do nariz. É causada por estirpes específicas de Pasteurella multocidia produtoras de toxina.
Acerca da AR e da PAR
- Etiologia
- Factores contributivos
- Sinais clínicos
- Diagnóstico
- Tratamento e Controlo
Etiologia
Pasteurella multocida é um comensal habitual do tracto respiratório dos porcos. As estirpes causadoras de rinite atrófica progressiva (PAR) produzem uma potente toxina, a dermonecrotoxina, que é responsável pelas alterações observadas. Esta bactéria pode ser facilmente cultivada e reconhecida pela colónia produzida, embora as estirpes envolvidas na PAR só possam diferenciar-se através da capacidade demonstrada na produção de toxinas.
Pasteurella multocida só coloniza as vias nasais em número suficiente para causar a doença se as mucosas já estiverem afectadas. O agente nocivo é geralmente a bactéria Bordetella bronchiseptica que provoca inflamação da cavidade nasal e possibilita a P. multocida produzir toxinas e provocar a doença.
As toxinas produzidas são absorvidas e afectam a produção e remodelação ósseas. Nos leitões em crescimento rápido dá-se uma distorção dos ossos do nariz.
topo
Factores que contribuem para a rinite atrófica e a rinite atrófica progressiva
- Mais comuns em populações jovens, em particular as que contêm um grande número de porcas novas.
- Instalações demasiado populadas.
- Más condições ambientais - falta de ventilação, pouca humidade, poeira
- Presença de outras doenças como Pneumonia Enzoótica, PRRS, Haemophilus parasuis e Doença de Aujeszky.
A rinite mais ligeira, doença não progressiva em que ossos turbinados saram e regeneram, pode estar associada aos seguintes factores.
- Nível elevado de bactérias no ar.
- Doença de Aujeszky (pseudoraiva).
- Infecção por Bordetella bronchiseptica.
- Doença respiratória crónica.
- Poeira.
- Doença de Glässer.
- Infecção por citomegalovírus nos suínos.
- Síndrome respiratório e reprodutivo porcino (PRRS).
- Pouca humidade
topo
Sinais clínicos de rinite atrófica progressiva
Em leitões com 1 a 8 semanas de idade podem observar-se espirros, nariz congestionado, descarga nasal, lacrimejo e por vezes sangramentos nasais. Os espirros tendem a diminuir gradualmente; após 14 dias são visíveis as alterações ósseas. À medida que a doença progride, o maxilar superior cresce mais lentamente do que o tecido mole e o maxilar inferior. A pele que cobre o focinho adquire um aspecto enrugado e o maxilar inferior torna-se saliente. Também se podem observar sinais de pneumonia ou atrofia. Os animais gravemente afectados podem ter dificuldade em comer; os porcos de todas as idades em varas afectadas podem apresentar alterações nasais. O ganho médio diário é reduzido.
Em alguns animais, os espirros podem ser transitórios sem outros sinais clínicos assinaláveis embora seja possível observar atrofia dos ossos turbinados no abate. Esta forma é mais comum quando a infecção surge após o desmame e quando existe imunidade.
topo
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se nos sinais clínicos. A rinite atrófica progressiva deve ser considerada quando ocorrem episódios graves de espirros em leitões e surgem alterações no focinho à medida que os leitões envelhecem.
A doença é facilmente identificada por exames post mortem do nariz e cultura do organismo presente nos esfregaços nasais. No abate, o focinho é cortado ao nível do segundo dente pré-molar e é feita uma avaliação do grau de atrofia dos ossos turbinados. Os focinhos são classificados de 0 a 5.
Quadro 1: Classificação dos focinhos no abate| Grau | Explicação |
|---|
| Grau 0 | Focinho normal |
| Grau 1 | Ligeira perda de simetria do nariz |
| Grau 2 | Ligeira perda de tecido turbinado |
| Grau 3 | Perda moderada de tecido turbinado |
| Graus 4 e 5 | Perda de tecido grave e progressiva, suspeita de PAR |
[imagem n[-15453 + 111 = ão] exibida no email]
Grau 0 - Focinho não afectado, concha intacta
[imagem n[-15453 + 111 = ão] exibida no email]
Grau 3 - Perda moderada de tecido turbinado
A cultura de P. multocida de esfregaços nasais e a presença de toxinas confirma o diagnóstico de PAR.
O anticorpo à toxina pode ser demonstrado no soro de porcos recuperados e vacinados.
topo
Tratamento e controlo- A eliminação da infecção por P. multocida toxinogénica previne o desenvolvimento de lesões ósseas e dos seus respectivos efeitos. A doença aguda em leitões pode ser tratada com sulfonamidas potenciadas, ampicilina, tetraciclinas ou enrofloxacina. Pode ser necessário recorrer a outras terapias como maior quantidade de comida e electrólitos.
- Os porcos desmamados em risco podem receber tratamento antimicrobiano na comida ou na água em níveis terapêuticos. A medicação de grupos de animais que entram no espaço aéreo de um sistema de entrada e saída simultàneas (all in, all out) é o método mais eficiente.
- Vacinação de porcas com o toxóide (toxina inactivada) para conferir protecção através do colostro aos leitões. Ver Vacinas.
- A infecção pode ser erradicada por despovoação e repovoação. As varas não infectadas podem ser mantidas livres de PAR através do seu isolamento e o uso de animais para reprodução não infectados. A monitorização da infecção é feita através de cultura dos esfregaços nasais para P. multocida.
topo