Doença de Aujeszky (DA)

A Doença de Aujeszky ou pseudoraiva é causada pelo vírus herpes e afecta sobretudo porcos, o único reservatório conhecido da doença. É uma doença importante em suinicultura e causa graves prejuízos económicos. Uma vez introduzida num grupo de porcas, o vírus tende a permanecer aí e continua a afectar a capacidade reprodutora. É por vezes transmitida naturalmente dos porcos para os bovinos, cavalos, cães e gatos que desenvolvem sinais nervosos e morrem rapidamente, daí o nome pseudoraiva.

Acerca da Doença de Aujeszky em porcos


Importància da Doença de Aujeszky (DA)
A DA é uma doença viral nos porcos responsável por graves prejuízos económicos. É prevalente em todo o mundo. Apenas dois países, com um sector pecuário de monta, escaparam à DA: Canadá e Austrália.

Muitos países (p.ex. Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Irlanda do Norte e do Sul, Holanda, Canadá, EUA e Chile) adoptaram políticas de controlo que podem incluir a vacinação obrigatória ou no caso do Reino Unido e da Dinamarca, normas de abate e erradicação.

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Etiologia

  • Vírus herpes, herpesvirus suis 1 (SHV)
  • Vírus de DNA em dupla cadeia
  • Apenas ocorre um tipo antigénico do vírus

Grande parte do genoma do vírus da Doença de Aujesky já foi sequenciado. De extrema importància são as regiões que codificam a enzima TK (timidina cinase) e as glicoproteínas de superfície. Estas regiões são cruciais para determinar a virulência, o decurso da infecção, o desenvolvimento de anticorpos após a infecção e o seu diagnóstico.

No seu fabrico, as vacinas artificiais são desenvolvidas mediante a delecção de gE e timidina cinase (TK). A delecção de gE permite diferenciar animais vacinados de animais infectados. A delecção de TK garante a segurança desta vacina não virulenta.

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Sinais clínicos
Os sinais clínicos nos porcos dependem da idade, da virulência da estirpe e da via de transmissão da infecção.

Infecção aguda em grupos de porcos sensíveis
Após infecção com uma estirpe virulenta de ADV, os sinais clínicos assemelham-se aos de qualquer organismo infeccioso: febre, anorexia e inactividade.

Dependendo da idade dos porcos, surgem sinais determinados pela virulência da estirpe infecciosa. Os sinais mais dramáticos ocorrem em leitões muito jovens.
Os sinais neurológicos observados são os seguintes:

  • tremores
  • movimentos descoordenados
  • sentar-se com as patas traseiras esticadas
  • decúbito e acto de pedalar.

A morbilidade e mortalidade em leitões é muito elevada podendo antingir os 100%.

Os porcos tornam-se cada vez menos sensíveis com a idade, e a taxa de mortalidade e incidência de sinais neurológicos diminuem.

Reprodutoras

  • Retorno a cio se a infecção ocorrer nas fases precoces da gestação
  • Podem ocorrer abortos em qualquer fase da gestação
  • Fetos mumificados, nados-mortos e débeis
  • Ninhadas pequenas

Varrascos
Os varrascos podem desenvolver orquite grave ou não conseguir acasalar devido à elevada temperatura. As temperaturas elevadas após infecção podem ter um importante efeito a longo prazo na capacidade reprodutora do efectivo por afectarem a espermatogénese.

Doença crónica
À medida que os porcos envelhecem a doença respiratória secundária torna-se cada vez mais evidente. O Actinobacillus pleuropneumoniae e a Pasteurella multocida são muitas vezes as causadoras de infecção bacteriana secundária.

A morbilidade em porcos mais velhos é elevada. Os animais sensíveis serão facilmente infectados embora possam não apresentar sinais clínicos da doença. A taxa de mortalidade é baixa (1 a 2 %), mas depende da virulência da estirpe envolvida.

Portadores
Podem transmitir o vírus a porcos sensíveis e às suas crias no útero ou após o nascimento. Podem transmitir o vírus a porcos sensíveis e às suas crias no útero ou após o nascimento.

Figura 1: Resumo dos sinais clínicos
clinical signs Aujesky's disease

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Transmissão da doença entre grupos de porcos

  • Movimento de porcos portadores
  • Ar – pelo menos 3km
  • Infecção de porcos selvagens
  • As aves podem espalhar o vírus, embora não esteja ainda comprovado
  • Carcaças contaminadas
  • Através do vestuário, botas, veículos e equipamento
  • Através de sémen infectado via IA ou varrascos portadores
  • Despojos contaminados

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Diagnóstico
Quando esta doença surge num grupo de porcos sensíveis, os sinais clínicos atrás descritos são indicadores da Doença de Aujeszky e são quase diagnóstico.

São necessários exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico:

  • Testes de fluorescência de anticorpos – é muitas vezes usado tecido de amígdalas em carcaças. Trata-se de um método seguro e os resultados estão disponíveis ao fim de algumas horas.
  • Isolamento do vírus dos pulmões e amígdalas.
  • Os testes ELISA para detecção de anticorpos são muitas vezes usados em porcos recuperados e no diagnóstico de um grupo de porcos. Estes testes permitem diferenciar as infecções de tipo selvagem e a vacina.

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Controlo e Erradicação
É importante fazer a distinção entre controlo da DA (supressão de sinais clínicos e prevenção de perdas na produção) e erradicação (eliminação de DA de uma exploração suinícola, região, país ou continente).

A vacinação é o primeiro passo para controlar a doença.
O controlo da DA não se deve basear unicamente na vacinação. Os factores de maneio são muito importantes:

  • Boas condições para a criação de porcos com controlo adequado do clima
  • Utilização do sistema All In All Out
  • Boas condições de higiene e desinfecção das zonas desocupadas
  • Boa condições de segurança da exploração suinícola de forma a manter um sistema fechado, restringindo o contacto com outras explorações
  • Adquirir animais apenas de explorações livres de DA

Erradicação de DA
Existem diversas abordagens para erradicar a doença. O método clássico inclui exames e normas específicas de abate ou despovoação seguida de repovoação. Esta abordagem foi usada para erradicar a DA da Grã-Bretanha e Dinamarca. A erradicação baseada neste sistema só deve ser utilizada em zonas com baixa prevalência da doença (< 10%), caso contrário não é economicamente viável.

Nos países em que a prevalência da doença é elevada a erradicação da DA é viável com vacinas marcadas (Ver Vacinas). ). Estas vacinas permitem diferenciar os animais naturalmente infectados dos vacinados através de serologia. A vacinação deve ser combinada com práticas de maneio adequadas, designadamente:

  • Sistemas seguros para identificação dos animais
  • Restrição de movimentação dos animais
  • Só podem entrar na exploração porcos negativos para DA
  • Instalações de quarentena
  • O rastreio periódico de amostras de sangue deve ser obrigatório para que o estatuto sanitário dos animais esteja sempre disponível

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porco a ser vacinado

Os porcos que recuperam de uma infecção por ADV podem tornar-se portadores assintomáticos.